terça-feira, 29 de dezembro de 2015

CADERNOS NEGROS - volume 38 - contos afro-brasileiros



No último dia 18 aconteceu o lançamento de mais um volume de Cadernos Negros. Desta feita, repleto de contos afro-brasileiros. Mais um livro contra as muitas adversidades e os muitos silêncios; os muitos muros com que, como detectava Cruz e Souza, tentam nos cercar.

A edição dá abertura a novos autores de se juntarem aos mais experientes no ofício de escrever, trabalhar e divulgar a muito suor, a literatura negra renegada em muitos meios.


 Autores do Cadernos Negros 38:
Alcidéa Miguel, Aline Soares dos Santos, Ana Fátima, Benício dos Santos Santos, Cristiane Sobral, Cuti, Daniel, Denise Lima, D’Ilemar Monteiro, Elaine Marcelina, Fátima Trinchão, Fausto Antonio, Hildália Fernandes, Jairo Pinto, Juliana Costa, Kasabuvu, Lepê Correia, Luiz Carlos Aseokaynha, Rosangela Nascimento, Samuel Neri, Silvana Martins.


Organizadores:
Esmeralda Ribeiro


Márcio Barbosa


Participaram também do evento de lançamento a escritora Conceição Evaristo falando sobre o tema: "Escrita feminina mostra personagens empoderadas em Cadernos Negros?" , e também o grupo BATUCAFRO, que abrilhantou ainda mais a festa com seus tambores e danças africanas.


Você pode adquirir o livro CN38 na lojinha do Museu Afro em SP, no Parque do Ibirapuera, ou pela internet no seguinte link:

segunda-feira, 10 de março de 2014

Crespo

Crespo,
encrespo com tua brancatitude.
Áspera língua,
lixo sílabas e palavras
vertentes de negritude.

Selo
com sangue de antepassados,
epístolas,
tintas de movimentos.

Movo,
reles propagador,
revolvo a terra dos enterrados
E encerro, ácido,
o aviltamento,
a tola atitude.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Ainda e Sempre, Mandela!

Apagou-se a luz.
Apagou-se a luz negra que iluminou uma nação. A luz negra que retirou da escuridão as piores mazelas de um povo e trouxe à tona o verdadeiro sentido de liberdade. O verdadeiro sentindo do verbo conviver. Conviver com o próximo, com o amigo ou inimigo, com a dor, com a prisão. Conviver com a segregação e, a partir dela, forjar e conviver com a liberdade.
Vinte e sete anos tomados de uma vida, Simplesmente porque o preto de sua pele e a contundência de seu discurso eram por demais perturbadores. Vinte e sete anos para não deixar pedra sobre pedra. Pedras tantas e tantas quebradas em sua reclusão, que,  porém, nem comparam-se com a magnitude das imensas rochas implodidas fora dos muros da prisão.
O Seu legado de amor e dedicação à causa de seu oprimido povo perdurará até os fins dos tempos. Em todos os confins, em todos os mais recônditos cantos deste mundo segregado, a força imensurável daquele rosto brando e da sobriedade de seus exemplos, muito mais que meros discursos, ainda implodirá muitas e muitas pedras de discriminação.
E a nós, restará o exemplo de uma vida dedicada ao próximo, ao irmão, à nação. O exemplo inconfundível e inesquecível de um filho de uma terra que, através de seus atos e sua luta, tornou-se pai de toda uma nação. O melhor dos pais, que cuidou dedicadamente a cada um de seus oprimidos e sofridos filhos.
O exemplo vivo até os últimos segundos de fôlego, de como o mundo pode ser transformado, se em vez do ódio gratuito, o perdão brotar como pedra fundamental em todas as relações.
Madiba, teu povo chora, mas também canta e dança. O mundo te deve, ao menos, vinte e sete anos de silêncio!